Contato (1997)

    Sinopse:

Contato (do inglês, Contact) é um filme de ficção científica adaptado do romance homônimo de Carl Sagan. Protagonizado por Eleanor Arroway(Jodie Foster), uma radioastrônoma americana, conta a jornada e os desafios, técnicos e morais, de Ellie em sua busca por vida extraterrestre.










    Resumo completo:

O filme retrata a trajetória de Ellie, que desde pequena foi criada somente pelo pai, e foi este quem nela despertou o amor pelos astros. Tendo perdido a mãe logo durante o parto, e mais tarde o pai por um ataque cardíaco, Ellie decide se entregar inteiramente ao seu sonho de criança e dedicar esforços na busca por vida extraterrestre.

Vemos, entretanto, uma imediata resistência logo no início do filme quando um importante cientista e ex-professor de Ellie, David Drumlin, se põe no caminho de sua pesquisa.
Enquanto se instalava em Porto Rico, sítio duma central de radiotelescópios na qual faria sua pesquisa, Ellie conhece Palmer Joss, um reverendo que estava escrevendo um livro a respeito da influência da tecnologia nos povos do terceiro mundo.

Em suma, Palmer e Ellie possuem visões de mundo completamente opostas: Ellie, no início do filme, se apresenta com uma filosofia pessoal em total afinidade com o racionalismo iluminista da idade moderna, e Palmer, devido à sua formação em teologia, e a uma experiência de iluminação divina que mudou a sua vida e sua visão de mundo, acredita que a fé é um critério que nos permite alcançar a verdade do mundo. Este embate psicológico de Ellie com ideias contrastantes às suas é, implicitamente, um dos principais temas do filme.

Tudo segue dentro da normalidade, até que um dia, como tantos outros, Ellie começa a escutar o que parece ser um sinal de ondas vindo de outro planeta. Tomada de euforia, a pesquisadora logo se concentra em analisar e procurar decifrar a possível mensagem transmitida e de origem desconhecida. 

Com o desenrolar da trama, Ellie descobre uma codificação de instruções para a construção de uma estranha máquina, que se acredita, sirva para a realização de uma viagem para o lugar de origem da mensagem, esse ainda desconhecido.

É neste momento que o filme vai apresentar um dos pontos mais interessante, se não o maior, da sua trama. Como pesquisadora responsável, Ellie deveria ser a primeira opção para a tal viagem, porém, como enviar para esta missão histórica uma pessoa que vai representar toda a humanidade, mas que não possui a sua maior crença, a fé em uma força superior? E sem ser piegas ou cair em clichês em momento algum, o filme trabalha esta vertente de forma verossímil ao mesmo tempo em que projeta carga dramática para a história.

Observa-se ao longo de toda narrativa o apego e a valorização das intuições por Ellie, o que reforça o caráter racionalista da personagem. A cientista confia cegamente na existência de vida alienígena e na sua possibilidade em estabelecer contato com elas. Isto fica claro, por exemplo, no seguinte trecho:

Jornalista: - Doutora Eleonor, apesar do seu entusiasmo, tem havido muitas críticas de que toda essa empreitada é perigosa demais, inclusive vindas e cientistas. Um ganhador do prêmio Nobel disse recentemente: "Tudo indica que isso está além de nossas capacidades. A empreitada falhará e o ocupante da máquina pagará com a própria vida”. Qual a sua resposta a isso? 
Ellie: - Bem, essa mensagem veio de uma civilização … de centenas a milhões e milhões de anos mais avançada do que a nossa. Eu tenho que acreditar que uma inteligência tão avançada saiba o que está fazendo. Tudo o que pedem de nós é…
Jornalista: - Fé?
Ellie: - Eu ia dizer "espírito aventureiro".

Este conflito fica ainda mais claro quando, mais tarde, após a construção e viagem de Ellie pela máquina descoberta, a cientista se encontra numa posição onde apenas ela sabe o que ocorreu durante a fração de segundo em que a máquina construída havia perdido o contato. Para Ellie, 18 horas haviam se passado, e mesmo com seu testemunho pessoal, ela não tinha provas para justificar seu paradeiro.

Isso fica mais evidente no momento do inquérito de Ellie,
quando ela é interrogada e apresentada com outras versões de sua história. Dentre as teorias alternativas apresentadas à Ellie, uma deles se refere ao argumento da ilusão, semelhante àquele utilizado por René Descartes quando introduz a dúvida cética em suas meditações metafísicas com o objetivo de refutá-las posteriormente:
Senador: - Admite que não tem nenhuma prova material da sua versão? 
Ellie: - Sim. 
Senado: - Admite que pode muito bem ter tido uma alucinação? 
Ellie: - Sim. 
Senador: - Admite que, em nosso lugar a senhora reagiria com a mesma incredulidade e ceticismo? 
Ellie: - Sim. 
Senador - Então por que não retira o seu testemunho e admite... que essa viagem ao centro da galáxia nunca aconteceu?! 
Ellie: - Porque não posso! Eu passei por uma experiência. Não posso prová-la nem explicá-la. Mas tudo o que sei como ser humano, tudo o que sou me diz que aquilo foi real! Eu recebi algo maravilhoso, algo que me mudou para sempre. Uma visão… do universo… que nos mostra sem dúvida quão pequenos e insignificantes mas raros e preciosos todos nós somos! Uma visão que mostra que fazemos parte de algo maior que nós mesmos e que nenhum de nós está sozinho! Eu gostaria de poder compartilhar isso. Eu gostaria que todos, mesmo que só por um momento pudessem sentir aquela surpresa, humildade e esperança. Mas isso continua a ser só um desejo.

O que garante a Ellie que ela não estava de fato sonhando ou que teve uma alucinação muito verosímil, a ponto de se enganar sobre a existência ou não da viagem?

No fim das contas, a Ellie da cena final demonstra ter refletido sobre sua filosofia de vida e adotado uma postura que aceita uma permanente suspensão dos juízos e a aceitação de múltiplas respostas para uma questão: Quando questionada casualmente por uma criança se existiria ou não vida na terra, responde que a criança, acima de tudo, deveria ir atrás de suas próprias respostas.

    

    Contact foi dirigido pelo diretor americano Robert Zemeckis e produzido pela Warner Bros. em 1997 e conta com figuras ilustres do cinema Hollywoodiano, como Jodie Foster e Matthew McConaughey

Originalmente, Carl Sagan, escritor do livro que baseou a obra, iria participar da produção para garantir a fidelidade entre os meios. Entretanto, uma morte prematura impediu-o de realizar o feito.

O filme, por fim, tenta se manter fiel às teorias e discussões histórico-científicas que apresenta, só deixando a desejar no fim, ao representar de forma desconcertantemente mística a viagem de Ellie à origem da mensagem.

Disponível no HBO Max e na Amazon Prime Video.










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